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Ilustração Cerebral

RESPONSIBLE HUB

Partilhar, valorizar e inspirar o que de melhor se faz na Economia Social.

O Responsible Hub pretende ser um espaço de partilha aberta e transparente, dando visibilidade às melhores práticas, projectos e soluções desenvolvidas no sector da Economia Social.

Aqui, destacamos o papel essencial das organizações e profissionais que, diariamente, trabalham para gerar um impacto positivo, coerente e sustentável nas comunidades. Promovemos o conhecimento, a colaboração e o reconhecimento público da importância estratégica deste sector para a sociedade.

Neste espaço encontrará entrevistas, artigos de opinião, publicações e reflexões de formadores, consultores e outros profissionais que partilham a sua visão e o seu saber — sempre com o propósito de inspirar e fortalecer quem trabalha com e para o impacto.

​Esperamos que aprecie este espaço. Faça parte, partilhe e contribua para esta comunidade que valoriza o conhecimento, a cooperação e o impacto.


Participar em encontros entre organizações sociais é sempre um espaço fértil de aprendizagem e partilha. Mas há encontros que ficam, e o II Encontro de Parceiros da Fundação Primavera Smart Senior foi um deles.

Um encontro que reuniu várias organizações sociais, num ambiente aberto e genuíno, onde fui convidada para ser oradora sobre o tema: angariação de fundos. O objetivo inicial era claro: trazer uma visão geral sobre fontes de financiamento e, acima de tudo, abordar os tabus e preconceitos que ainda existem em torno deste tema.


Como tantas vezes acontece, o plano foi apenas o ponto de partida.

À medida que a sessão avançava, fomos ajustando, parando para discutir, refletir e partilhar. E foi precisamente nesses momentos que surgiram as questões mais relevantes, aquelas que não têm respostas rápidas, mas que abrem espaço para algo mais profundo.


Crescer ou Estagnar: Uma Escolha Estratégica

Houve uma pergunta que acabou por marcar a conversa e que me levou a esta reflexão:

A angariação de fundos deve ser uma prioridade ou uma função secundária?

Esta questão, aparentemente simples, revela uma tensão estrutural no setor social.

Porque, no fundo, todas as organizações enfrentam uma escolha: querem crescer ou estão confortáveis em manter-se como estão?

Se o objetivo for crescer, aumentar impacto, chegar a mais pessoas, diversificar respostas, garantir o futuro da organização, então a angariação de fundos não pode ser acessória. Tem de ser estratégica.


Isso implica investimento. Implica planeamento. Implica pessoas qualificadas.

Quando não o é, acaba muitas vezes reduzida a ações pontuais: enviar e-mails, ativar contactos, reagir a oportunidades. E isso, na melhor das hipóteses, garante sobrevivência, dificilmente crescimento.


Este debate ganha ainda mais relevância quando olhamos para a evolução do setor social. Entre 2009 e 2019* nasceram mais de 24 mil entidades neste universo (em média, quase 2200 por ano), sendo que cerca de 93% das entidades constituídas se encontram ainda ativas. No mesmo período, foram encerradas pouco mais de mil organizações, com uma idade média de 14 anos no momento do encerramento, um valor semelhante aos 13 anos registados nas empresas.


Estes números mostram um setor dinâmico, mas também evidenciam um ponto essencial: a longevidade das organizações depende, em grande medida, da sua capacidade de garantir sustentabilidade ao longo do tempo. E é precisamente aqui que a angariação de fundos assume um papel central.


Os Tabus que Ainda Nos Limitam

Mas antes de falarmos de estratégia, há algo que não pode ser ignorado.

Os tabus. Ao longo da conversa, ficou evidente que ainda existe um conjunto de barreiras muito presentes, não técnicas, mas emocionais e culturais.


O desconforto em pedir. O receio do julgamento. E, talvez o mais silencioso de todos, a vergonha em pedir.

Estes elementos são frequentemente ignorados, mas têm um peso enorme na forma como as organizações se posicionam, ou não, na angariação de fundos.

Reconhecê-los é essencial. Porque só a partir desse reconhecimento é possível começar a desconstruí-los.


O Mito do “Faz-Tudo”

Outro ponto que emergiu foi a realidade de muitas organizações viverem numa lógica de acumulação de funções.

Profissionais que fazem comunicação, angariação de fundos, gestão e muito mais.

E, inevitavelmente, quando tudo é prioridade, nada é verdadeiramente estratégico.

A angariação de fundos exige foco. Exige consistência. Exige integração com a missão e com a visão da organização.


Profissionalização: Uma Decisão, Não um Luxo

Defender a profissionalização do setor social não é importar modelos empresariais de forma acrítica. É reconhecer que sustentabilidade exige competência. E quem me conhece sabe que esta é uma convicção que tenho vindo a defender há muito tempo, não é por acaso, que criei a Be Responsible precisamente para promover dois temas tantas vezes esquecidos no setor social: o fundraising e a comunicação.


Investir em profissionais qualificados de angariação de fundos significa:

  • Criar estratégias alinhadas com a missão

  • Desenvolver relações sólidas com doadores

  • Diversificar fontes de receita

  • Medir impacto e comunicar valor


Importa também clarificar expectativas: contratar profissionais exclusivamente à comissão pode desvalorizar a função e limitar o compromisso. A angariação de fundos eficaz constrói-se com integração, visão de longo prazo e co-responsabilização - uma perspetiva partilhada por um dos fundadores da Fundação Primavera ao longo do encontro.


Uma Reflexão que Fica

Talvez o mais importante deste encontro não tenham sido as respostas, mas as perguntas.

Como é que cada organização encara a angariação de fundos?

Como algo pontual? Como uma responsabilidade individual? Ou como um eixo estratégico central? Queremos crescer ou estagnar?

Esta reflexão ficou comigo e reforçou a vontade de continuar a partilha e o debate.

Porque, no fundo, não estamos apenas a falar de financiamento. Estamos a falar de ambição, de sustentabilidade e de futuro.

E isso começa sempre por uma escolha.


Escolha essa que passa, inevitavelmente, por olhar para a diversidade de fontes de receita, compreender o seu potencial e perceber de que forma podem ser trabalhadas de forma estratégica. Entre essas fontes, o financiamento junto de empresas assume um papel cada vez mais relevante, exigindo preparação, alinhamento e capacidade de construir relações de valor mútuo.


A propósito, e dando continuidade a esta reflexão, agora focada especificamente numa das fontes de receita, o setor privado, a Be Responsible irá promover em abril a 12ª Edição do Workshop Fundraising Corporativo com a duração de 9 horas, em horário laboral, um espaço onde estas temáticas são aprofundadas e onde se explora, de forma prática, como estruturar abordagens ao fundraising corporativo e desenvolver relações sustentáveis com parceiros empresariais.


Escrito por: @Linda Morango - desabafos puros entre pensamentos, encontros e cafés, sempre na companhia do seu fiel patudo, Freddie, que esteve muito ativo neste encontro ao meu lado… talvez porque tenha deixado pão na mesa.


Referências bibliográficas

Estudo da Informa Maio de 2020 - 1º Edição.

Atualizado: 5 de jan. de 2021

Em entrevista ao Blog Be Responsible, Magda Stela partilha da sua paixão pelo jornalismo e experiência na arte de comunicar uma marca ou organização junto dos media.

Publicamos esta entrevista que pode ler na íntegra, aqui no Blog Be Responsible.


Qual é a história sobre a Magda Stela que nunca foi contada? Quem é a Magda Stela?

MS. Desde criança que sou muito, muito curiosa. Sempre tive interesse em conhecer e entender as coisas e as outras pessoas. Sobretudo vontade de questionar. Sou assim até hoje. E adoro ser ouvinte. Quando resolvi escolher Jornalismo, vi a possibilidade de através de histórias criar proximidades. Acredito na comunicação que permite gerar laços, estabelecer diálogos, questionar, duvidar, e que nessa totalidade nos torna pessoas melhores. Também gosto de saber a história por trás de cada pessoa e conhecê-las. Porque todas as pessoas atravessam histórias e há sempre narrativas para lá de nós. A Magda gosta de acasos, abraços, livros e viagens… Adoro o silêncio, ou ficar horas à conversa, do entardecer e do mar, da leveza e encantos inesperados de África ou dos recantos descobertos ao acaso. Fascinam-me sorrisos, a simplicidade e a solidariedade.


A paixão pelo jornalismo nasceu aos 14 anos. O que a levou a formar-se em jornalismo?

MS. A ideia de uma profissão que leva ao público as informações necessárias, abrindo o caminho para a curiosidade e a busca de conhecimento, fizeram-me ver no Jornalismo algo maior. Percebi que a comunicação é uma ferramenta incrível. Ela serve também para unir pessoas, mostrar algo novo, contar histórias, abrir horizontes, enriquecer opiniões. Tudo isto também se encontra presente no Jornalismo, uma área rica em possibilidades. A ideia de aprender coisas novas todos os dias é um dos principais motivos que fazem igualmente a profissão valer a pena.


Passou por várias experiências profissionais. Da sua experiência na Cision, qual é o balanço que faz desse período? Como era o seu dia a dia?

MS. A experiência na Cision foi o primeiro contacto com a questão de rigor de planeamento, contacto, monitorização e análise dos media. Adquirir ferramentas e conhecimento estratégico para medir o sucesso da comunicação organizacional, perceber a reputação desta, ter a possibilidade de analisar a visão institucional neste domínio, fez-me enriquecer a minha perceção sobre a comunicação, enquanto ferramenta essencial nas mais variadas dinâmicas. O meu dia a dia tinha como foco demonstrar o impacto de campanhas e ações de comunicação. Foram muitas horas envolvida com uma grande variedade de tabelas, gráficos e relatórios, com vista à leitura do sucesso do impacto das coberturas em análise. Comparar notícias por projeto, por ação, por campanha; analisar o posicionamento organizacional e de que forma os esforços de comunicação necessitavam de ser ajustados; avaliar o verdadeiro impacto de uma história, com base em múltiplos fatores.


Após a Cision e Rádio, ingressou no domínio da Comunicação Institucional no setor da saúde, e mais tarde da economia social. Passou por várias Instituições onde assumiu a coordenação da Comunicação e Marketing Estratégico, área de Protocolos, Eventos, Angariação de Fundos e Responsabilidade Social Corporativa. Qual foi a importância que a assessoria de imprensa tomou e toma no desempenho dessas funções?

Tomou sempre uma importância muito grande. A assessoria de imprensa numa organização é um essencial elo de ligação entre as fontes de informação e os veículos de comunicação. Mas, também, importa dizer que a relevância e utilidade desta função depende muito da forma como ela é exercida. Entendo que é essencial executá-la de modo credível e honesto. O comportamento ético do profissional de comunicação é um “dever ser” essencial. Destaco sempre a importância da Assessoria de Imprensa como uma atividade facilitadora, permitindo, por exemplo, que a fonte possa adicionar à cobertura noticiosa informações que, de outro modo, poderiam ser omitidas ou não chegariam ao conhecimento da audiência. Reduzir o tempo e o esforço dedicados à apuração de dados informativos é um trabalho que nos compete, e que pode ter inúmeras mais-valias. Uma assessoria competente pode alcançar novas visões.

Com encara o impacto da revolução digital no jornalismo nacional e regional, atualmente?

MS. Entendo que a revolução digital tornou o jornalismo, nacional e regional, mais presente no dia a dia, em todos os lugares e a todo o tempo. Presenciamos uma era de inclusão, e a velocidade e intensidade com que as informações transitam têm também um lado positivo. Para os jornalistas, o trabalho tornou-se mais facilitado, a produção mais rápida, com mais possibilidades. Se o mundo online é um desafio e um risco, também é verdade que é uma oportunidade. Ele trouxe outras formas de contar uma história: com interatividade e novos formatos, com maior nível de criatividade. Nesta “onda” digital, sem dúvida que se operaram mudanças no jornalismo que são irreversíveis. Mas não deixemos de olhar para o lado positivo, nomeadamente que a comunicação é, cada vez mais, uma ferramenta facilitada; que há audiências mais qualificadas do que antes; que é possível, neste contexto, um jornalismo voltado para a qualidade - e esse será o seu maior êxito - com matérias de qualidade, com objetivos editoriais muito claros.


Ao longo do seu percurso profissional, quais foram os maiores desafios que teve que gerir no que diz respeito à assessoria de imprensa?

MS. Saber lidar com crises sempre foi um dos desafios da assessoria de imprensa. Uma crise pode surgir a qualquer momento. Não perder o timing, posicionando a estratégias de assessoria no momento certo é importante. A fragmentação da audiência, a multiplicação dos formatos e canais de comunicação ampliaram os meus desafios no que diz respeito à Assessoria de Imprensa.


Em breve, vai ministrar na Academia Be Responsible um workshop sobre "Como comunicar com os media". O que podem os participantes esperar deste workshop?

MS. Podem esperar o desenvolvimento de competências estratégicas na gestão de comunicação e informação, com vista a uma aplicabilidade nas suas organizações ou gestão das suas marcas. Encontrarão, sobretudo, boas práticas e estratégias que simplificarão as suas relações com os jornalistas dos diferentes meios, através do conhecimento dos valores e funcionamento dos media. A análise da comunicação com os órgãos de informação, as repercussões destas na projeção da imagem da marca ou organização, a caraterização e exploração do potencial mediático dos diferentes projetos, serão alguns dos objetivos, em traços gerais, do programa deste workshop.



O curso"Como comunicar com os media" têm a duração de 9 horas e irá decorrer online (via zoom pro) nos dias 21, 25 e 27 de janeiro das 18h30 às 21h30. Será ministrado pela formadora Magda Stela que irá ajudar-lhe a comunicar melhor a sua organização ou marca junto dos media.
Inscrições até 15 de janeiro através do nosso site www.academiaberesponsible.com ou envie-nos a sua inscrição para info@academiaberesponsible.com.

Sobre a formadora Magda Stela

Magda Stela conta com mais de 15 anos de experiência. É formada em jornalismo, com mestrado em Comunicação e atualmente frequenta o doutoramento em Ciências da Comunicação, na Universidade de Coimbra. A paixão pelo jornalismo nasceu aos 14 anos quando se aventurou numa experiência de um curso de verão numa radio local, motivação que a levou a prosseguir estudos na área e a estagiar, no final do curso, na TSF Rádio Notícias. Depois de trabalhar em rádio e na Cision, ingressou no domínio da Comunicação Institucional no setor da saúde, e mais tarde da economia social. Passou por várias Instituições onde assumiu a coordenação da Comunicação e Marketing Estratégico, área de Protocolos, Eventos, Angariação de Fundos e Responsabilidade Social Corporativa. Atualmente é Adjunta de Coordenação na Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Centro, sendo responsável pelas áreas da Comunicação e Projetos.

Adora ouvir e contar histórias e, por isso, recentemente deu forma a esse desejo através do

projeto “Narrativas Humanas”, que convida a sentarmo-nos nas histórias de vida para lá de

nós. Porque todas as pessoas atravessam histórias.

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